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Espaço, gênero e feminilidades ibero-americanas

Joseli Maria Silva, Marcio Jose Ornat e Alides Baptista Chimin Junior (Orgs.)

Edição: 1a

Páginas: 213

Formato: 16 x 23

Peso: 200g

Miolo: papel ofsete 90g, costurado

Capa: cartão supremo 240g, com laminação fosca

ISBN: 978-85-62450-15-0

 
Esta é mais uma produção coletiva do Grupo de Estudos Territoriais (GETE), dirigido por Joseli Maria Silva,  e vinculado à recentemente criada Rede de Estudos de Geografia e Gênero da América Latina (REGGAL). Trata-se de uma contribuição muito relevante num campo infelizmente ainda pouco desenvolvido no Brasil e, como reconhecem os próprios autores, muitas vezes ainda eivado de pré-julgamentos e qualificações depreciativas. Felizmente, contudo, a própria qualidade dos trabalhos aqui apresentados revela a força já conquistada e o potencial para novos desdobramentos dos estudos sobre sexualidade, gênero e, mais amplamente, sobre “diferença” na Geografia brasileira. E a questão de gênero é, sem dúvida, uma das que mais “faz diferença” na Geografia ─ como bem demonstram pesquisas anteriores do GETE que aliaram gênero e pobreza, gênero e poder (participação política), gênero e mobilidade. Depois de “Geografias Subversivas: discursos sobre espaço, gênero e sexualidades”, publicado em 2009 por esta mesma editora como um balanço inédito da Geografia do Gênero no Brasil, este “Espaço, gênero e feminilidades ibero-americanas” expande o escopo do debate e incorpora pesquisadores e temáticas vinculados a diversas realidades nacionais: de Brasil, Argentina, México, Guatemala, Cuba, Portugal, Espanha. Mesmo reconhecendo a dificuldade em conceituações envolvendo sexualidade e feminilidade, podemos afirmar que este trabalho, em múltiplos enfoques, como é do caráter de sua problemática, abre espaço para a mulher em toda a multiplicidade de suas inserções espaço-identitárias. Assim, encontramos aqui, ao lado das “tradicionais” mulheres domésticas e mulheres mães (e mães adolescentes), mulheres pobres e mulheres acadêmicas/universitárias, mulheres ecofeministas e mulheres vítimas de violência, mulheres moldadas pelo campo das representações midiáticas e, finalmente, mulheres guerrilheiras ─ como guerreiras que são tantas, na luta comum por afirmação, autonomia e liberdade que é também a luta com que se engajam os autores desta obra. Porque tão importante quanto desvendar os meandros teóricos de um problema é participar concreta(politica)mente na sua transformação.

 

Rogério Haesbaert

Universidade Federal Fluminense

 

 

Sumário

 

Prefácio

Janice Monk

Apresentação

Joseli Maria Silva, Marcio Jose Ornat e Alides Baptista Chimin Junior

A visibilidade e a invisibilidade feminina na pesquisa geográfica: uma questão de escolhas metodológicas

Joseli Maria Silva, Almir Nabozny e Marcio Jose Ornat

Universidade e gênero na Espanha: trajetórias acadêmicas de docentes na geografia

Maria Dolors Garcia-Ramon, Anna Ortiz e Hermínia Pujol

La construcción de la igualdad de género en la UAEM

Graciela Vélez Bautista e Norma Baca Tavira

Rumo à construção de uma agenda de investigação ‘Género e Ambiente’ em Portugal

Margarida Queirós

Prácticas agroecológicas en espacios de reforma agraria: impactos en las relaciones de género

María de los Ángeles Arias Guevara e Valdemar João Wesz Junior

Domesticidade moderna e relações de gênero: o discurso funcionalista na revista Casa & Jardim durante as décadas de 1950 e 1960

Marinês Ribeiro dos Santos e Joana Maria Pedro

Transcendendo o espaço do privado: a experiência das guerrilheiras guatemaltecas como possibilidade de transformação pessoal

Milena Costa de Souza

Las mujeres pobres y el circuito espacial de la violencia doméstica en Argentina

Diana Lan

La maternidad adolescente: un caso de exclusión socioterritorial en Lomas de Zamora

Liliana Coronel

Las expressiones territoriales de la violencia de género en América Latina a través de los feminicidios

María Magdalena López Pons

 

 

Apresentação



O livro Geografias feministas: espacialidades e feminilidades é resultado de uma longa trajetória de pesquisas realizadas por pessoas que ousaram ultrapassar fronteiras linguísticas e políticas para construir a perspectiva de gênero na geografia, por meio de uma aliança ibero-americana.

Esta aliança apresenta duas dimensões de relações político-científicas de importância fundamental para ampliar o escopo de produção das chamadas geografias feministas. A primeira dimensão se estabelece na criação de um espaço de expressão intelectual para além da hegemonia da produção científica de língua inglesa, lançando perspectivas de diálogo entre distintas culturas para além do mundo anglo-saxão. A outra dimensão se produz na relação ibero-americana, marcada por nossa história colonial. Tal passado comum, embora com diferentes desfechos para ambos os povos (latinos e europeus), construiu, inegavelmente, identidades entre nós, seja por elementos de oposição ou de complementaridade. Nesse sentido, este livro é também um espaço de ressignificação das relações de nosso passado colonial, construindo uma perspectiva pós-colonialista de relações científico políticas.

Em 1994, o artigo de Janice Monk “Place matters: comparative international perspectives on feminist geography”, publicado no periódico The Professional Geographer, evidenciava a pequena produção intelectual baseada no conceito de gênero provinda da geografia da América Latina. As afirmações do artigo colocavam um importante desafio para nós, pesquisadoras(es) latino-americanas(os), que nos defrontávamos cotidianamente com evidentes participações femininas em movimentos sociais francamente expressivos espacialmente, tanto nas áreas rurais como urbanas. A contribuição das mulheres no crescimento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e do Movimento dos Sem-Teto, além da emergência dos estudos de gênero em instituições como a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM), são exemplos de processos socioespaciais que desafiaram a geografia latino-americana. As mais variadas ciências sociais avançaram nas análises de gênero na América Latina. Curiosamente, a geografia latino-americana permaneceu impermeável à força deste movimento epistemológico das ciências sociais.

Ainda que autoidentificada como uma ciência social, a geografia da América Latina tem relutado em compreender que a relação entre a humanidade e o espaço não é homogênea, sendo necessário considerar as diferenças entre os grupos sociais que compõem as variadas relações espaciais para ampliar a capacidade compreensiva desta ciência. As relações entre sociedade e espaço podem ser analisadas por meio de muitas categorias, e uma das mais importantes é a de gênero. Além disso, as relações de gênero são compreendidas para muito além da simples oposição entre o masculino e o feminino. Elas são interseccionadas por relações econômicas, religiosas, étnicas e raciais construídas no tempo e no espaço. Esta complexidade faz da nossa geografia feminista uma vertente capaz de trazer elementos de análise que transbordam as fronteiras dos campos científicos seguros e pré-estabelecidos e nos guia ao processo criativo e crítico de produção do saber.

Apesar da crescente feminização da geografia acadêmica latino-americana nas últimas décadas, ela permanece impermeável às abordagens de gênero. Tal situação sustenta-se de forma interdependente, tanto de elementos organizacionais (currículos de cursos, periódicos científicos e organizações acadêmicas) como estruturais (premissas epistemológicas), construindo de forma persistente o silenciamento das abordagens de gênero na geografia, como evidencia Joseli Maria Silva ao analisar o caso brasileiro no livro Geografias Subversivas, em 2009.

Este livro desafia o silêncio estruturado pelo discurso geográfico hegemônico e certamente produz dissonâncias no campo científico pretensamente neutro e universal. Portanto, o livro é uma tática de subversão que, ainda que não ultrapasse totalmente as fronteiras do poder, permite conquistar terreno e visibilidade nas estruturas sociais acadêmicas, apesar da opressão.

O livro está estruturado em dez capítulos que abordam a realidade ibero-americana. O texto de Joseli Maria Silva, Almir Nabozny e Marcio Jose Ornat explora as relações de poder inerentes à produção do saber científico geográfico e evidencia a importância da reflexibilidade do papel da(o) pesquisadora(or) para construir a visibilidade das relações entre gênero e espaço. O ensaio traz para a discussão a responsabilidade da ciência na produção das exclusões e representações hegemônicas que provocam injustiças sociais.

Maria Dolors Garcia-Ramon, Anna Ortiz e Hermínia Pujol trazem uma análise das diferenças entre as práticas de homens e mulheres na carreira acadêmica, evidenciando como a vida de pesquisadores é profundamente marcada pelos papéis de gênero socialmente instituídos. A construção da igualdade de gênero na Universidade Autônoma do Estado do México é tema do texto de Graciela Vélez Bautista e Norma Baca Tavira. As autoras afirmam que, apesar dos esforços que marcam o século XXI para combater as desigualdades de gênero, elas ainda persistem no cotidiano das instituições educacionais superiores. Nesse sentido, sustentam a ideia de que a transversalidade da perspectiva de gênero é uma ferramenta de transformação social e de desenvolvimento. Margarida Queirós, por sua vez, defende em seu texto a ideia da construção de uma agenda de investigação sobre gênero e meio ambiente em Portugal.

As práticas agroecológicas nos espaços de reforma agrária são analisadas a partir da perspectiva de gênero por María de los Ángeles Arias Guevara e Valdemar João Wesz Junior. Apontam diferentes perspectivas de desenvolvimento trazidas pela opção agroecológica que potencializa a alteração das estruturas hierárquicas das relações de gênero, implicando a democratização de espaços de poder e de empoderamento econômico e político das mulheres que se convertem em protagonistas de sua existência. Marinês Ribeiro dos Santos e Joana Maria Pedro levantam questionamentos sobre as relações de gênero e suas ligações com o espaço doméstico, tomando como referência as revistas de decoração. O texto refuta a ideia da introdução dos princípios funcionalistas no cotidiano das donas de casa como uma imposição da racionalidade masculina e trazem para discussão o caráter cultural e histórico das construções discursivas associadas ao gênero, apontando a racionalidade funcionalista moderna como um elemento das representações da feminilidade.

O ensaio de Milena Costa de Souza aborda a experiência guerrilheira guatemalteca, explorando a participação feminina nas organizações revolucionárias e as consequências advindas dessa experiência. A autora argumenta que, embora a guerra não tenha conquistado uma sociedade igualitária, a participação das mulheres na guerrilha transformou suas visões de mundo e as permitiu transcender o espaço privado com novos objetivos, principalmente na busca de carreiras acadêmicas.

A realidade socioespacial Argentina está presente em três trabalhos que exploram a relação entre violência, exclusão e gênero. O texto de Diana Lan constrói a visibilidade da violência doméstica sofrida por mulheres pobres na Argentina, destacando o seu circuito espacial. Ainda explorando o contexto espacial argentino, Liliana Coronel analisa a exclusão socioterritorial feminina a partir do fenômeno da maternidade de adolescentes moradoras de áreas de baixa renda e María Magdalena López Pons investiga o crescimento do feminicídio em território latino-americano.

Enfim, o conteúdo deste livro é uma contribuição para a construção de uma geografia rica e libertadora, capaz de produzir a visibilidade de distintos grupos sociais obscurecidos pelo monotônico discurso geográfico branco, ocidental e masculino.

 

Joseli Maria Silva

Marcio Jose Ornat

Alides Baptista Chimin Junior

Organizadores

 

 

Prefácio



Como bem sugere o título deste livro, existem de fato muitas geografias feministas e geografias de gênero, já que elas são escritas e vivenciadas, de várias maneiras, em diversos lugares, espaços e tempos. É importante para os geógrafos, internacionalmente, e em especial na América Latina, que a coleção de ensaios deste livro tenha sido reunida. O trabalho feminista floresceu e tem sido amplamente reconhecido desde sua emergência, há mais de três décadas, primordialmente nos Estados Unidos e no Reino Unido, mas também, em variadas medidas, em outros países (GARCIA-RAMON e MONK, 2007). Como escrevem Susana M. Veleda da Silva e Diana Lan, desde a década de 1980 têm surgido, de maneira lenta, mas consistente, trabalhos na América Latina (principalmente na Argentina e no Brasil), embora “o desafio (...) no começo do século 21 seja o de afirmar a disciplina e fazer com que ela alcance uma posição mais consolidada nos vários cursos universitários interdisciplinares (...) na América Latina” (2007, p. 278). Este livro é uma importante contribuição em apoio a essa iniciativa.          

Os ensaístas apontam a importância do gênero na vida social, os modos como ele é diversamente experienciado e expresso nos diferentes espaços, e falam de como culturas no meio acadêmico e na sociedade em sua expressão mais ampla têm o poder de promover ou obstruir oportunidades de pesquisa e ensino sobre gênero por parte de geógrafos. É notável que, além de autores da Argentina e do Brasil, o livro inclui colaboradores do México, Espanha e Portugal, destacando o papel que línguas comuns desempenham na comunicação acadêmica. Como geógrafa que tem o inglês como primeira língua, valorizo os desafios e o apoio de colegas que oferecem insights sobre seus mundos, em Espanhol e Português, de modo que as interpretações não sejam dependentes unicamente de pesquisas por parte de pessoas estranhas à região. E valorizo, em especial, diálogos que perpassam fronteiras nacionais. 

É possível ter uma percepção das forças internacionais e dos desafios com que se deparam os estudos de gênero na geografia ao se observar as atividades da Comissão sobre Gênero e Geografia da União Geográfica Internacional (IGU). Criada inicialmente como um Grupo de Estudos, em 1988, e depois como uma Comissão, em 1992, esta Comissão é hoje uma das mais ativas dentre as 34 que compõem o IGU. Atualmente, o seu rol de correspondências conta com aproximadamente 500 membros, em 45 países, os quais recebem seu boletim duas vezes ao ano. O boletim traz notícias sobre pesquisas, com bibliografias extensivas, a respeito de trabalhos realizados em uma variedade de línguas. No último Congresso Geográfico Internacional (Tunísia, 2008),     houve apenas uma Comissão (Educação) que patrocinou um número maior de sessões de apresentação de trabalhos. Além disso, a Comissão regularmente promove conferências temáticas em vários lugares do mundo, as mais recentes delas em Taiwan (2007), sobre gênero e transnacionalismo, e na Hungria/Romênia (2009), sobre gênero em contextos pós-socialistas/neoliberais. Em 2010, ela foi copromotora de conferências na Índia e na Nova Zelândia. Apesar dos avanços e das atividades extensivas, novos desafios têm surgido. Em 2009, por exemplo, no encontro na Romênia, alguns debatedores discutiram novas barreiras ao ensino de gênero, tendo em vista que existem universidades que, alegando motivos financeiros, têm se afastado de cursos especiais, como aqueles que enfocam gênero. Outros debatedores indicaram que os estudantes estão deixando de lado a geografia sociocultural, tendo em vista que as especialidades técnicas oferecem melhores oportunidades de emprego. Este tema também é levantado neste livro, no capítulo de Garcia-Ramon, Ortiz e Pujol. Na América Latina, continuam os embates para que os estudos de gênero sejam reconhecidos como parte integrante de conferências, instituições e organizações voltadas à geografia. Como bem defendem em seu capítulo as autoras mexicanas Vélez Bautista e Baca Tavira, é importante promover a democracia dentro das instituições e criar conhecimento a partir da observação de desigualdades de gênero, tendo em vista a promoção de mudanças sociais mais equitativas.

Os estudos de gênero, ao longo dos anos, e à medida que foram se desenvolvendo na geografia, têm refletido mudanças nas vidas tanto de mulheres como de homens, bem como a consciência das diferenças sociais, culturais e históricas socialmente construídas a partir dessa divisão binária. Estas incluem, mas também se estendem para além da noção de ‘macho’ e fêmea’, do ponto de vista biológico. Reconhecem-se interseções de gênero relacionadas com idade (e posição no curso da vida), com ‘raça’, etnia, classe social, sexualidade, in/capacidade, religião e outras formas de ‘diferença’. Condições materiais, percepções, visões de mundo e identidades refletem e conformam os modos como o gênero é experienciado. Verifica-se tanto a persistência quanto a mudança. E acima de tudo, como geógrafas, nós investigamos o significado de espaço e lugar na construção de vidas marcadas pelo gênero.

Os colaboradores deste livro contemplam um conjunto de cenários em espaços rurais e urbanos, públicos e privados. Eles apresentam diversas abordagens em suas investigações: a interpretação de representações culturais nos meios de comunicação, a análise de documentos que dizem respeito a planejamento e políticas, entrevistas qualitativas em profundidade, o exame de estudos de caso múltiplos, a análise de comportamentos espaciais e o exame de estatísticas nacionais. Ao fazer isso, eles demonstram as múltiplas formas em que papéis de gênero, relações e identidades podem ser explorados. Todavia, para muito além de simplesmente documentar vidas e lugares, o livro revela compromissos no sentido de despertar a consciência social e política, e também para com mudanças. Os colaboradores dão visibilidade a questões cruciais como a violência doméstica e o índice desproporcionalmente elevado de feminicídios em países latino-americanos. Eles mostram como, até em situações de crise e guerra, o ativismo das mulheres pode ter implicações pessoais transcendentes e promover empoderamento pessoal. Eles mostram os limites das estruturas políticas e sociais hierárquicas no que respeita a ambientes sustentáveis de produção.

Assim, ao mesmo tempo em que este volume amplia nosso conhecimento sobre espaço, lugar e gênero, nesse mesmo processo ele também mostra e faz um apelo ao compromisso com um trabalho teórico e metodológico que desafie injustiças sociais, políticas e econômicas. Como Susan Hanson e eu escrevemos há três décadas, (MONK e HANSON, 1982), as abordagens feministas são vitais, não somente para ampliar o conhecimento, mas para os objetivos que são alcançados por meio daquilo que fazemos.

 

Janice Monk

University of Arizona

jmonk@email.arizona.edu

 

 

Referências

GARCIA-RAMON, Maria Dolors; MONK, Janice. Gender and geography: World views and practices. Belgeo, v. 3, 2007, p. 247-259.

MONK, Janice; HANSON, Susan. On not excluding half of the human in human geography. The Professional Geographer, v. 34, n. 1, 1982, p. 11-23.

SILVA, Susana M. Veleda da; LAN, Diana. Geography and gender studies: The situation in Brazil and Argentina. Belgeo, v. 3, 2007, p. 371-382.

 

 

Para contato com os organizadores

 

Joseli Maria Silva - (42) 3222-7614 - joseli.genero@gmail.com

Marcio Jose Ornat - (42) 99610351 - geogenero@gmail.com

Alides Baptista Chimin Junior - (42) 99824422 - alides.territoriolivre@gmail.com

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