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Geografias malditas: corpos, sexualidades e espaços

Geografias malditas: corpos, sexualidades e espaços
Joseli Maria Silva, Marcio Jose Ornat e Alides Baptista Chimin Junior (Orgs.)
Edição: 1a
Páginas: 400
Formato: 16 x 23 cm
Peso: 685g
Miolo: papel ofsete 90g, costurado
Capa: cartão supremo 250g, com laminação fosca
Ano de publicação: 2013
ISBN: 978-85-62450-29-7

Apresentação

O grupo de pesquisa sobre Estudos Territoriais da UEPG, que já se consolidou como referência no campo de Geografia e Gênero no Brasil, com articulações também a nível internacional, coloca-nos neste livro frente a uma grande questão: como transformar as ‘Geografia mal-ditas’ de indivíduos posicionados muitas vezes num dos extremos da marginalização e do preconceito social, comotravestis e transexuais, numa ‘Geografia bem-dita’ de sujeitos que têm voz e sensibilidade e reivindicam seu lugar no mundo. Destaca-se assim o caráter inovador e instigante de seu projeto, ao começar por dar voz aos próprios sujeitos em sua prática de construção doespaço - que é também, sempre, e mais ainda neste caso, pois literalmente disputam espaço - a construção da vida. Um trabalho que é desafiador num duplo sentido: epistemológico, pela inserção definitiva de uma problemática e de uma metodologia tantas vezesmenosprezadas na Geografia brasileira, e político, pela convocação que nos faz para superar ideias preconcebidas. Fica assim o convitepara, despidos de todo preconceito e julgamentos a priori, ingressarmos no espaço desses Outros que, por não conhecermos - ou,pior, por não querermos conhecer -, alimentamos sua invisibilidade e estigmatização. Nas palavras de Débora Lee, rejeitada pelafamília, ‘ser travesti é aguentar o preconceito, porque a maior parte que a travesti vive todo dia é a discriminação, a falta deoportunidade de trabalho, e ter que cair na prostituição para sobreviver’.

Prof. Dr. Rogerio Haesbaert da Costa (UFF)

“Fazemos um discurso não autorizado e dissidente”. Com esta afirmação, o livro ‘Geografias Malditas: corpos, sexualidades e espaços’ instiga os pesquisadores das universidades brasileiras, notadamente os das Ciências Sociais e, especialmente, os da Geografia, a fugirem da homogeneidade discursiva dominante, ainda hoje, na academia brasileira. Nesta obra, o Grupo de Pesquisa GETE (UEPG) amplia a investigação sobre as ordens discursivas nos temas de Geografia, Gênero e Sexualidades, e apresenta a sua pesquisa demaneira corajosa, não temendo ser o condutor do discurso daqueles que não têm voz político-institucional, e ainda são invisíveis pelaacademia, além de execrados pela sociedade brasileira: as pessoas que se autodeclaram ‘travestis’. Com competência e suporteteórico-conceitual de ponta, esta publicação inova o campo metodológico sobre este tema no país, ao mesclar as linguagens política ecientífica ao coloquial dos sujeitos investigados. Sem medo de gerar uma ‘heresia no santificado mundo da ciência geográfica’, o livroé um compêndio à humanização dos discursos sociais e acadêmicos em torno dos ‘malditos’ e à ampliação da inclusão na definição deagendas políticas que ainda estão longe da dignidade sobre a qual os direitos civis devem se apoiar. Em uma época de ampliação dastensões sociais nas representações instituídas do Estado de Direito, os confrontos também se fazem sentir nos meios midiáticos e nasredes sociais da internet, entre os que lutam por conquistas inclusivas mais amplas (como os direitos dos homoafetivos) e os que disseminam discursos discriminatórios e homofóbicos que beiram o criminoso (como os grupos da Direita religiosa). Neste contexto, o livro se torna mais do que necessário para estimular a luta contra as homogeneidades discursivas, e, sobretudo, para que a novageração de geógrafos e demais pesquisadores sociais em diversos níveis possam refletir sobre seus objetos de investigação e sobre opapel que lhes cabe como pesquisadores do espaço geográfico e da sociedade.

Prof. Dr. Augusto Cesar Pinheiro da Silva


Prefácio

Este livro constitui uma intervenção importante no estudo das geografias de gênero, sexualidade e do corpo. O título Geografias Malditas reflete a extensão em que travestis e transgêneros estão sujeitos a violência física e simbólica na vida cotidiana. Além disso, as experiências de travestis e transgêneros continuam significativamente pouco estudadas e marginais no âmbito das geografias de gênero e sexualidades. Essa marginalização torna o livro uma intervenção particularmente bem-vinda no debate geográfico sobre gênero e sexualidade.
Geografias Malditas está organizado em torno de três seções distintas. A primeira seção, “Geografias travestis, por elas mesmas”, consiste de capítulos de autoria de travestis, em que narram as suas próprias geografias. A segunda seção, “Trajetórias de conhecimento conjunto produzido pelo Grupo de Estudos Territoriais e as travestis”, foi escrita por pesquisadores acadêmicos que trabalham com travestis como voluntários em ONGs. A terceira seção, “Diversos espaços, múltiplas realidades trans”, inclui ensaios sobre geografias travestis e transgêneros escritos por estudiosos de fora do Brasil.
Geografias Malditas contém uma variedade de perspectivas sobre as geografias de travestis e transgêneros. O livro apresenta ensaios baseados em experiências vividas por travestis e transgêneros em um número de localidades que vão desde o Brasil e a Espanha até o Chile e a Nova Zelândia. Eles também examinam essas experiências em uma série de escalas espaciais  por exemplo, em cidades de pequeno porte, como Hamilton, Nova Zelândia, passando por cidades regionais, como Ponta Grossa, até chegar a cidades maiores, como Santiago de Chile. Também é notável que alguns capítulos contemplam as dimensões transnacionais das geografias de travestis e transgêneros. Por exemplo, o capítulo de Joseli Maria Silva trata da migração transnacional de travestis brasileiras para a Espanha. Este ensaio é baseado em entrevistas com travestis brasileiras profissionais do sexo a respeito de suas experiências cotidianas de vida na Espanha.
Um aspecto particularmente inovador deste livro é a primeira seção, em que travestis narram suas próprias experiências de espaço e lugar. As vozes de travestis, transgêneros e outras minorias sexuais estão muitas vezes ausentes das discussões acadêmicas, o que faz com que suas vidas possam ser coisificadas e exotizadas. É, portanto, uma contribuição particularmente importante deste livro que geografias travestis são abordadas a partir das perspectivas de travestis. Esta seção (e o próprio livro, de um modo mais geral) demonstra a necessidade de uma presença muito maior das vozes múltiplas e diversificadas de travestis e transgêneros dentro das geografias de gênero e sexualidades.
Geografias Malditas é um volume pioneiro de ensaios que faz uma intervenção original e inovadora nas geografias de sexualidades. O livro demonstra o dinamismo e a riqueza das geografias de sexualidades no Brasil. Ele também representa um desafio para as geografias de sexualidades, internacionalmente, no sentido de empenhar-se e reconhecer de maneira mais ampla a diversidade das experiências cotidianas de travestis e transgêneros.

Jon Binnie
Reader in Human Geography
School of Science and Environment
Manchester Metropolitan University
Chester Street
Manchester
M1 5GD
United Kingdom



SUMÁRIO


Prefácio
Jon Binnie

Para além da apresentação das Geografias Malditas: uma análise da resistência às descontinuidades científicas no campo científico da Geografia no Brasil
Joseli Maria Silva, Marcio Jose Ornat e Alides Baptista Chimin Junior


PARTE I
GEOGRAFIAS TRAVESTIS, POR ELAS MESMAS

A geografia de uma travesti é uma barra, é matar um leão a cada dia
Débora Lee

O que mais me marcou na vida é ser barrada e não poder entrar nos lugares: esta é a geografia de uma travesti
Leandra Nikaratty

A vida da travesti é glamour, mas também é violência em todo lugar
Fernanda Riquelme

Vida de travesti é luta! Luta contra a morte, luta contra o preconceito, luta pela sobrevivência e luta por espaço
Gláucia Boulevard


PARTE II
TRAJETÓRIAS DE CONHECIMENTO CONJUNTO PRODUZIDO PELO GRUPO DE ESTUDOS TERRITORIAIS E AS TRAVESTIS

O corpo como elemento das geografias feministas e queer: um desafio para a análise no Brasil
Joseli Maria Silva, Marcio Jose Ornat, Tamires Regina Aguiar de Oliveira Cesar, Alides Baptista Chimin Junior e Juliana Przybysz

Espaço interdito e a experiência urbana travesti
Joseli Maria Silva

A instituição do território paradoxal na atividade da prostituição travesti
Marcio Jose Ornat

Território descontínuo paradoxal e prostituição na vivência travesti do sul do Brasil
Marcio Jose Ornat

Interseccionalidade e mobilidade transnacional entre Brasil e Espanha nas redes de prostituição
Joseli Maria Silva

Espaço e morte nas representações sociais de travestis
Vinicius Cabral, Joseli Maria Silva e Marcio Jose Ornat


PARTE III
DIVERSOS ESPAÇOS, MÚLTIPLAS REALIDADES TRANS

Identidades e cidadania em construção: historização do ‘T’ nas políticas de antiviolência LGTB no Brasil
Jan Simon Hutta e Carsten Balzer

Geografias trans(icionais): corpos, binarismos, lugares e espaços
Lynda Johnston e Robyn Longhurst

Prácticas subversivas en espacios interdictos, en las experiencias múltiples y cotidianas de personas transexuales de la ciudad de Santiago de Chile
Martin Torres Rodríguez e Raul Borges Guimarães




Sobre os autores

Alides Baptista Chimin Junior (alides.territoriolivre@gmail.com)
Geógrafo, pesquisador do Grupo de Estudos Territoriais, membro da Rede de Estudos de Geografia, Gênero e Sexualidades da América Latina (REGGSAL) e docente da Universidade Estadual do Centro-Oeste (PR).

Carsten Balzer (research@transrespect-transphobia.org)
Pesquisador-chefe do projeto de pesquisa Transphobia Worldwide (TvT), tem doutorado e mestrado em Antropologia Cultural pela Universidade Livre de Berlim, onde também lecionou Estudos Latino-americanos.

Débora Lee (renascer_06@yahoo.com.br)
Ativista LGBT e membro da Organização Não Governamental Renascer. Coordenadora e executora do Projeto Faces de Vênus / SESA, PR, e executora dos projetos de extensão “Para além da ‘batalha’ na rua: práticas de inclusão socioespacial e promoção de direitos humanos dos grupos em situação de vulnerabilidade social” e “Imagens de ausências e silêncios da cidade: exclusão e subversão da heteronormatividade”.

Fernanda Riquelme (renascer_06@yahoo.com.br)
Ativista LGBT e membro da Organização Não Governamental Associação Regional de Apoio aos Homossexuais (ARAH). Coordenadora e executora do projeto Faces de Vênus / SESA, PR, e executora dos projetos de extensão “Para além da ‘batalha’ na rua: práticas de inclusão socioespacial e promoção de direitos humanos dos grupos em situação de vulnerabilidade social” e “Imagens de ausências e silêncios da cidade: exclusão e subversão da heteronormatividade”.

Gláucia Boulevard (renascer_06@yahoo.com.br)
Ativista LGBT e membro da Organização Não Governamental Renascer. Executora dos projetos de extensão “Para além da ‘batalha’ na rua: práticas de inclusão socioespacial e promoção de direitos humanos dos grupos em situação de vulnerabilidade social” e “Imagens de ausências e silêncios da cidade: exclusão e subversão da heteronormatividade”.

Jan Simon Hutta (hutta@gmx.net)
Geógrafo, ativista queer, doutor em Geografia Humana, pesquisador do projeto de pesquisa Transrespect versus Transphobia Worldwide (TvT). Atualmente é docente na Universidade Humboldt, em Berlim.

Joseli Maria Silva (joseli.genero@gmail.com)
Geógrafa, coordenadora do Grupo de Estudos Territoriais e membro da Rede de Estudos de Geografia, Gênero e Sexualidades da América Latina (REGGSAL). Docente da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), onde coordena o Programa de Pós-graduação em Geografia, é também editora da Revista Latino-americana de Geografia e Gênero.

Juliana Przybysz (juliana.przybysz@gmail.com)
Geógrafa, pesquisadora do Grupo de Estudos Territoriais, membro da Rede de Estudos de Geografia, Gênero e Sexualidades da América Latina (REGGSAL) e docente colaboradora da Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Leandra Nikaratty (renascer_06@yahoo.com.br)
Ativista LGBT e executora dos projetos de extensão “Para além da ‘batalha’ na rua: práticas de inclusão socioespacial e promoção de direitos humanos dos grupos em situação de vulnerabilidade social” e “Imagens de ausências e silêncios da cidade: exclusão e subversão da heteronormatividade”.

Lynda Johnston (lyndaj@waikato.ac.nz)
Geógrafa e professora doutora da Universidade de Waikato, na Nova Zelândia. Editora da revista Gender, Place and Culture, desde 2011, e membro do Conselho editorial da revista Social and Cultural Geography, desde 2009.

Marcio Jose Ornat (geogenero@gmail.com)
Geógrafo, vice-coordenador do Grupo de Estudos Territoriais e membro da Rede de Estudos de Geografia, Gênero e Sexualidades da América Latina (REGGSAL). Docente da Universidade Estadual de Ponta Grossa e membro do Conselho editorial da Revista Latino-americana de Geografia e Gênero.

Martin Torres Rodríguez (martin.torres.r@gmail.com)
Geógrafo, pesquisador e membro da Rede de Estudos de Geografia, Gênero e Sexualidades da América Latina (REGGSAL).

Raul Borges Guimarães (raul@fct.unesp.br)
Geógrafo e professor doutor pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, campus de Presidente Prudente. Atua no Programa de Pós-graduação em Geografia e tem como interesse a saúde.

Robyn Longhurst (longhurst@waikato.ac.nz)
Professora doutora da Universidade de Waikato, Nova Zelândia. Atua como editora da revista Gender Place and Culture e é membro do Conselho editorial de vários periódicos da área da Geografia, como ACME, Geography Compass e Social and Cultural Geography.

Tamires Regina Aguiar de Oliveira Cesar (tamyitape@gmail.com)
Geógrafa, pesquisadora do Grupo de Estudos Territoriais e membro da Rede de Estudos de Geografia, Gênero e Sexualidades da América Latina (REGGSAL).

Vinicius Cabral (vinicius.cabral.1991@gmail.com)
Geógrafo, pesquisador do Grupo de Estudos Territoriais e membro da Rede de Estudos de Geografia, Gênero e Sexualidades da América Latina (REGGSAL).

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