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memórias amazônicas (Série Lírica)

Mário Sérgio de Melo

 

Edição: 1a 

Páginas: 96

Formato: 15 x 21 cm

Peso: 100 g

Miolo: papel pólen bold natural fosco 90 g/m²

Capa: cartão supremo 250 m/g²

Ano de publicação: 2011

ISBN: 978-85-62450-16-7

 

 

Sobre o autor

Mário Sérgio (nascido em Votorantim, SP, 1952) é geólogo e professor de profissão, poeta de repentes, que considera a poesia um saudável e necessário exercício de sensibilidade e comunicação da alma. Publicou “poemecos” (edição do autor, Ponta Grossa, 2005) e “cio do século” (Todapalavra Editora, Ponta Grossa, 2010).

 

Apresentação

 

Corria o ano de 1973

Uma construtora de São Paulo que fazia uma prospecção de cassiterita (minério de estanho) na Amazônia contratou quatro estudantes que acabavam de concluir o terceiro ano do curso de Geologia da USP para apoiar os trabalhos. Éramos eu, Nilton Fornasari Filho, Daniel Cummings e Gustavo Zambrana Campoverde, nosso colega boliviano.

A área de pesquisa ficava no município de Aripuanã, no extremo noroeste do Mato Grosso, às margens do Rio Roosevelt, quase na fronteira com Rondônia e Amazonas, no seio da selva. O estágio dos quatro estudantes, denominados “forasteiros” nestas memórias, durou de dezembro de 1973 a fevereiro de 1974. Passamos Natal e Ano Novo embrenhados na mata.

Os acertos e preparativos para a viagem foram cercados de muita expectativa por parte dos forasteiros, inexperientes jovens metropolitanos, que sonhavam e ansiavam com a aventura amazônica.

Saímos de São Paulo em um pequeno avião bimotor, pernoitamos em Cuiabá, depois ainda passamos por Vilhena antes de chegar à clareira em meio à selva que era a sede da fazenda onde ficaríamos por quase três meses. Ela tinha um pequeno campo de pouso em terra batida, que era a porta da principal forma de contato com o mundo.

Durante o estágio, fiz uma espécie de diário, onde anotava desde dados de trabalho, os acontecimentos mais inusitados, até os causos contados pelos peões, as peculiaridades da mata, as palavras desconhecidas, as marcações das partidas de cacheta jogadas nos dias de folga durante os reabastecimentos, em média a cada duas semanas, quando os forasteiros nos reencontrávamos na sede da fazenda. Mas estas memórias foram escritas em sua quase totalidade em dezembro de 2010, sem nem mesmo uma espiada naquele diário, que talvez venha a ser utilizado num outro momento. Então, estas são lembranças marcantes, que ficaram fortemente gravadas, e que ressurgiram trinta e sete anos depois, sem necessidade de rever as anotações daquela época. Os únicos três escritos aqui incluídos que são anteriores a este surto de lembranças são “garimpeiro” (1995), “igarapé” (2004) e “raimundo (2005). Podemos considerá-los como precoces extravasamentos das memórias em fermentação.

O que pode ser tido como o primeiro escrito do surto que originou este livro foi “a puta voadora” (de 15/12/2010), inicialmente batizado “encabulada de fogo”, que compartilhei com o Nilton Fornasari. O Nilton respondeu-me com o texto que é a epígrafe adiante, que creio ter desencadeado o turbilhão que foi o processo de resgate e reinvenção das memórias. Assim, penso que devemos ao Nilton a existência do livro, mais do que a qualquer dos personagens retratados nos poemas, a quem também devemos muito.

Diante das alternativas para a organização dos escritos, acabei escolhendo não a ordem em que os eventos se sucederam, mas a ordem cronológica em que os poemas foram sendo criados. Embora não seja lógica do ponto de vista da apreensão do contexto (o leitor talvez tenha que ler o texto todo até o fim para compreender bem algumas passagens do começo), ela é a ordem mais fiel à força subjetiva com que as lembranças foram ressurgindo. Espero que gostem da leitura.

 

Mário Sérgio de Melo

Campinas, 31 de dezembro de 2010

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